Informamos a Todos que durante a quaresma não temos atendimento público.
Esse é um período de reflexão do aprendizado e renovação do amor universal.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
sábado, 15 de setembro de 2012
Cosme e Damião
Cosme
e Damião
Cultuados
na Umbanda, ,Candomblé,Xangô
do Nordeste,Xambá
onde são associados aosi
bejis,
gêmeos amigos das crianças que teriam a capacidade de agilizar
qualquer pedido que lhes fosse feito em troca de doces e guloseimas.
O nome Cosme significa "o enfeitado" e Damião, "o
popular".
Há
relatos dos santos católicos serem originários da Arábia,
de uma família nobre de pais cristãos, no século
III.
Seus nomes verdadeiros eram Acta
e Passio.
Um
estudou Medicina e o outro Farmácia na Síria
e depois foram praticar em Egéia. Diziam "Nós
curamos as doenças em nome de Jesus
Cristo e pelo seu poder".
Exerciam
a medicina e farmácia na Síria, em Egéia e na Ásia
Menor,
sem receber qualquer pagamento. Por isso, eram chamados de anárgiros,
ou seja, inimigos do dinheiro.
Cosme
e Damião foram martirizados na Síria,
porém é desconhecida a forma exata como morreram. Perseguidos por
Diocleciano,
foram trucidados e muitos fiéis transportaram seus corpos para Roma.
Foram
sepultados no maior templo dedicado a eles, feito pelo Papa
Félix
IV(526-30),
na Basílica no Fórum de Roma
com as iniciais SS
- Cosme e Damião.
São
considerados no Brasil os Santos padroeiros dos Farmacêuticos e
Médicos. A bonita história de São Cosme e São Damião - que por
sua vez é marcada por visões diferentes, dependendo da crença de
cada religião - demonstra a complementaridade e interdependência
que as profissões irmãs, a medicina e a farmácia, possuem. Talvez
o sucesso atribuído às curas milagrosas dos irmãos gêmeos, na
idade média, nada mais fosse do que a antecipação da divisão do
trabalho, ocorrida apenas no século XIII, onde a farmácia foi
separada oficialmente da medicina e considerada uma profissão.
Nas
histórias yoruba, existiam num reino dois pequenos príncipes gêmeos
que traziam sorte a todos. Os problemas mais difíceis eram
resolvidos por eles; em troca, pediam doces balas e brinquedos. Esses
meninos faziam muitas traquinagens e, um dia, brincando próximos a
uma cachoeira, um deles caiu no rio e morreu afogado. Todos do reino
ficaram muito tristes pela morte do príncipe. O gêmeo que
sobreviveu não tinha mais vontade de comer e vivia chorando de
saudades do seu irmão, pedia sempre a orumilá que o levasse para
perto do irmão. Sensibilizado pelo pedido, orumilá resolveu levá-lo
para se encontrar com o irmão no céu, deixando na terra duas
imagens de barro. Desde então, todos que precisam de ajuda deixam
oferendas aos pés dessas imagens para ter seus pedidos atendidos.
Semelhanças com a Mitologia Grega
Na
mitologia grega, há muito se cultuava esses santos, havendo
registros, desde o século V, quando esse culto já estava
estabilizado no Mediterrâneo,
de cultos que relatam a existência, em seus cultos, de um óleo
santo, atribuído a Cosme e Damião, e que tinha o poder de curar
doenças e dar filhos às mulheres estéreis.
Alguns
grupos concentram seus esforços para demonstrar que Cosme e Damião
não existiram de fato, que eram apenas a versão cristã da lenda
dos filhos gêmeos de Zeus,
Castor
e Pólux.
Esta versão é combatida por aqueles que acreditam na real
existência dos irmãos, embora a superstição que o povo tem muitas
vezes faça supor que haja uma adaptação do costume pagão.
Celebramos
no dia 27
de setembro,
enfeitando seus templos com bandeirolas e alegres desenhos, tendo-se
o costume, principalmente no Rio de Janeiro, de dar às crianças que
lotam as ruas em busca dos agrados doces e brinquedos. Na Bahia, as
pessoas comemoram oferendo caruru, vatapá, doces e pipoca para a
vizinhança.
Os
espíritos trabalhadores sobre a influência de Ibejí, apresentam-se
normalmente sob a forma de crianças ou espíritos de crianças,
porém espíritos não têm idade, apresentam-se dessa forma de modo
a facilitar a comunicação com as nossas crianças. Esses espíritos
puros trazem a cura para as doenças e amparam todas as crianças
enquanto elas manterem a inocência.
Seus
domínios são os parques, jardins e grandes gramados. Sua cor é o
rosa, os espíritos que trabalham sob a irradiação de Ibejí são
espíritos de grande força espiritual.
Não
devemos julgá-los fracos devido à forma como se apresentam, ou
seja, como crianças, depois de Oxalá são os únicos que dominam
totalmente a magia.
Nas
obrigações a Ibejí, são utilizadas velas cor de rosa, flores com
tonalidade rosa e sem os espinhos ou ainda brancas. Também são
usados doces como as cocadas, balas, pirulitos, fatias de bolo, etc.
A bebida é a água pura ou então misturada com mel e mais
recentemente são utilizados refrigerantes como o guaraná.
Ibejí,
São Cosme e São Damião são trabalhadores da linha de Oxalá e
pertencem a uma de suas falanges. A eles podemos pedir proteção
contra demandas e malefícios; pedir principalmente proteção para
nossas crianças, principalmente as enfermas.
Ao
pedir ajuda a linha de Ibejí, faça-o com o coração isento de
mágoas e amarguras. Por serem extremamente positivos, afastam-se das
pessoas interesseiras, com pensamentos negativos e egoístas.
São
raros os filhos de Ibejí, por não suportarem sentimentos negativos,
escolhem a dedo os seus filhos, na realidade preferem ficar perto das
crianças, enquanto manterem a inocência.
São
poderosos aliados das forças do bem, nada maligno consegue resistir
a eles. No mês de Setembro de todos os anos, os terreiros preparam
grandes festas em sua homenagem, procurando desta forma devolver a
eles a proteção e o carinho que nos dispensam, principalmente aos
nossos filhos e as pessoas doentes.
domingo, 12 de agosto de 2012
Tentando buscar elementos para
identificarmos Obaluae encontramos esse relato da Sociedade Mata
Virgem que reproduzimos aqui.
“Na Umbanda, o culto é feito
a Obaluaiê, que se desdobra com o nome de Omulu. Orixá originário
do Daomé. É um Orixá sombrio, tido entre os iorubanos como severo
e terrível, caso não seja devidamente cultuado, porém Pai bondoso
e fraternal para aqueles que se tornam merecedores, através de
gestos humildes, honestos e leais.
Nanã decanta os espíritos que
irão reencarnar e Obaluaiê estabelece o cordão energético que une
o espírito ao corpo (feto), que será recebido no útero materno
assim que alcançar o desenvolvimento celular básico (órgãos
físicos).
Ambos os nomes surgem quando nos
referimos à esta figura, seja Omulu seja Obaluaiê. Para a maior
parte dos devotos do Candomblé e da Umbanda, os nomes são
praticamente intercambiáveis, referentes a um mesmo arquétipo e,
correspondentemente, uma mesma divindade. Já para alguns
babalorixás, porém, há de se manter certa distância entre os dois
termos, uma vez que representam tipos diferentes do mesmo Orixá.
São também comuns as variações
gráficas Obaluaê e Abaluaê.
Um dos mais temidos Orixás,
comanda as doenças e, consequentemente, a saúde. Assim como sua mãe
Nanã, tem profunda relação com a morte. Tem o rosto e o corpo
cobertos de palha da costa, em algumas lendas para esconder as marcas
da varíola, em outras já curado não poderia ser olhado de frente
por ser o próprio brilho do sol. Seu símbolo é o Xaxará - um
feixe de ramos de palmeira enfeitado com búzios.
Em termos mais estritos,
Obaluaiê é a forma jovem do Orixá Xapanã, enquanto Omulu é sua
forma velha. Como porém, Xapanã é um nome proibido tanto no
Candomblé como na Umbanda, não devendo ser mencionado pois pode
atrair a doença inesperadamente, a forma Obaluaiê é a que mais se
vê. Esta distinção se aproxima da que existe entre as formas
básicas de Oxalá: Oxalá (o Crucificado), Oxaguiã a forma jovem e
Oxalufã a forma mais velha.
A figura de Omulu/Obaluaiê,
assim como seus mitos, é completamente cercada de mistérios e
dogmas indevassáveis. Em termos gerais, a essa figura é atribuído
o controle sobre todas as doenças, especialmente as epidêmicas.
Faria parte da essência básica vibratória do Orixá tanto o poder
de causar a doença como o de possibilitar a cura do mesmo mal que
criou.
Em algumas narrativas mais
tradicionalistas tentam apontar-se que o conceito original da
divindade se referia ao deus da varíola, tal visão porém, é uma
evidente limitação. A varíola não seria a única doença sob seu
controle, simplesmente era a epidemia mais devastadora e perigosa que
conheciam os habitantes da comunidade original africana, onde surgiu
Omulu/Obaluaiê, o Daomé.
Assim, sombrio e grave como
Iroco, Oxumarê (seus irmãos) e Nanã (sua Mãe), Omulu/Obaluaiê é
uma criatura da cultura jêje, posteriormente assimilada pelos
iorubás. Enquanto os Orixás iorubanos são extrovertidos, de
têmpera passional, alegres, humanos e cheios de pequenas falhas que
os identificam com os seres humanos, as figuras daomeanas estão mais
associadas a uma visão religiosa em que distanciamento entre deuses
e seres humanos é bem maior. Quando há aproximação, há de se
temer, pois alguma tragédia está para acontecer, pois os Orixás do
Daomé são austeros no comportamento mitológico, graves e
conseqüentes em suas ameaças.
A visão de Omulu/Obaluaiê é a
do castigo. Se um ser humano falta com ele ou um filho-de-santo seu é
ameaçado, o Orixá castiga com violência e determinação, sendo
difícil uma negociação ou um aplacar, mais prováveis nos Orixás
iorubás.
Pierre Verger, nesse sentido,
sustenta que a cultura do Daomé é muito mais antiga que a iorubá,
o que pode ser sentido em seus mitos: A antigüidade dos cultos de
Omulu/Obaluaiê e Nanã (Orixá feminino), freqüentemente
confundidos em certas partes da África, é indicada por um detalhe
do ritual dos sacrifícios de animais que lhe são feitos. Este
ritual é realizado sem o emprego de instrumentos de ferro, indicando
que essas duas divindades faziam parte de uma civilização anterior
à Idade do Ferro e à chegada de Ogum.
Como parte do temor dos iorubás,
eles passaram a enxergar a divindade (Omulu/Obaluaiê) mais sombria
dos dominados como fonte de perigo e terror, entrando num processo
que podemos chamar de malignação de um Orixá do povo subjugado,
que não encontrava correspondente completo e exato (apesar da
existência similar apenas de Ossãe). Omulu/Obaluaiê seria o
registro da passagem de doenças epidêmicas, castigos sociais, já
que atacariam toda uma comunidade de cada vez.
Obaluaiê, o Rei da Terra, é
filho de NANÃ, mas foi criado por IEMANJA que o acolheu quando a mãe
rejeitou-o por ser manco, feio e coberto de feridas. É uma divindade
da terra dura, seca e quente. É às vezes chamado "o velho",
com todo o prestígio e poder que a idade representa no Candomblé.
Está ligado ao Sol, propicia colheitas e ambivalentemente detém a
doença e a cura. Com seu Xaxará, cetro ritual de palha da Costa,
ele expulsa a peste e o mal. Mas a doença pode ser também a marca
dos eleitos, pelos quais Omulu quer ser servido. Quem teve varíola é
freqüentemente consagrado a Omulu, que é chamado "médico dos
pobres".
Suas relações com os Orixás
são marcadas pelas brigas com Xangô e Ogum e pelo abandono que os
Orixás femininos legaram-lhe. Rejeitado primeiramente pela mãe,
segue sendo abandonado por Oxum, por quem se apaixonou, que,
juntamente com Iansã, troca-o por Xangô. Finalmente Obá, com quem
se casou, foi roubada por Xangô.
Existe
uma grande variedade de tipos de Omulu/Obaluaiê, como acontece
praticamente com todos os Orixás. Existem formas guerreiras e não
guerreiras, de idades diferentes, etc., mas resumidos pelas duas
configurações básicas do velho e do moço. A diversidade de nomes
pode também nos levar a raciocinar que existem mitos semelhantes em
diferentes grupos tribais da mesma região, justificando que o Orixá
é também conhecido como Skapatá, Omulu Jagun, Quicongo, Sapatoi,
Iximbó, Igui.
Esta Grande Potência Astral
Inteligente, quando relacionado à vida e à cura, recebe o nome de
Obaluaiê. Tem sob seu comando incontáveis legiões de espíritos
que atuam nesta Irradiação ou Linha, trabalhadores do Grande
Laboratório do Espaço e verdadeiros cientistas, médicos,
enfermeiros etc., que preparam os espíritos para uma nova
encarnação, além de promoverem a cura das nossas doenças.
Atuam também no plano físico,
junto aos profissionais de saúde, trazendo o bálsamo necessário
para o alívio das dores daqueles que sofrem.
O Senhor da Vida é também
Guardião das Almas que ainda não se libertaram da matéria. Assim,
na hora do desencarne, são eles, os falangeiros de Omulu, que vêm
nos ajudar a desatar nossos fios de agregação astral-físico
(cordão de prata), que ligam o perispírito ao corpo material.
Os comandados de Omulu, dentre outras funções, são diretamente responsáveis pelos sítios pré e pós morte física (Hospitais, Cemitérios, Necrotérios etc.), envolvendo estes lugares com poderoso campo de força fluidíco-magnético, a fim de não deixarem que os vampiros astrais (kiumbas desqualificados) sorvam energias do duplo etérico daqueles que estão em vias de falecerem ou falecidos.”
Os comandados de Omulu, dentre outras funções, são diretamente responsáveis pelos sítios pré e pós morte física (Hospitais, Cemitérios, Necrotérios etc.), envolvendo estes lugares com poderoso campo de força fluidíco-magnético, a fim de não deixarem que os vampiros astrais (kiumbas desqualificados) sorvam energias do duplo etérico daqueles que estão em vias de falecerem ou falecidos.”
sábado, 9 de junho de 2012
História de Santo Antônio
Protetor
dos pobres, o auxílio na busca de objetos ou pessoas perdidas, o
amigo nas causas do coração. Assim é Santo Antônio de Pádua,
frei franciscano português, que trocou o conforto de uma abastada
família burguesa pela vida religiosa.
Contam
os livros que o santo nasceu em Lisboa, em 15 de agosto de 1195, e
recebeu no batismo o nome de Fernando. Ele era o único herdeiro de
Martinho, nobre pertencente ao clã dos Bulhões y Taveira de
Azevedo. Sua infância foi tranqüila, sem maiores emoções, até
que resolveu optar pelo hábito. A escolha recaiu sobre a ordem de
Santo Agostinho.
Os primeiros oito anos de vida do jovem frei, passados nas cidades de Lisboa e Coimbra, foram dedicados ao estudo. Nesse período, nada escapou a seus olhos:
Os primeiros oito anos de vida do jovem frei, passados nas cidades de Lisboa e Coimbra, foram dedicados ao estudo. Nesse período, nada escapou a seus olhos:
|
desde
os tratados teológicos e científicos às Sagradas Escrituras.
Sua cultura geral e religiosa era tamanha que alguns dos colegas
não hesitavam em chamá-lo de "Arca do Testamento".
Reservado,
Fernando preferia a solidão das bibliotecas e dos oratórios às
discussões religiosas. Bem, pelo menos até um grupo de
franciscanos cruzar seu caminho. O encontro, por acaso, numa das
ruas de Coimbra marcou-o para sempre. Eles eram jovens diferentes,
que traziam nos olhos um brilho desconhecido. Seguiam para o
Marrocos, na África, onde pretendiam pregar a Palavra de Deus e
viver entre os sarracenos.
A
experiência costumava ser trágica. E daquela vez não foi
diferente. Como a maioria dos antecessores, nenhum dos religiosos
retornou com vida. Depois de testemunhar a coragem dos jovens
frades, Fernando decidiu entrar para a Ordem Franciscana e adotar
o nome de Antônio, numa homenagem à Santo Antão. Disposto a se
tornar um mártir, ele partiu para o Marrocos, mas logo após
aportar no continente africano, Antônio contraiu uma febre, ficou
tão doente que foi obrigado à voltar para a casa. Mais uma vez,
os céus lhe reservava novas surpresas. Uma forte tempestade
obrigou seu barco a aportar na Sicília, no sul da Itália. Aos
poucos, recuperou a saúde e concebeu um novo plano: decidiu
participar da assembléia geral da ordem em Assis, em 1221, e
deste modo conheceu São Francisco pessoalmente.
É difícil imaginar a
emoção de Santo Antônio ao encontrar seu mestre e inspirador,
um homem que falava com os bichos e recebeu as chagas do próprio
Cristo. Infelizmente, não há registros deste momento tão
particular da história do Cristianismo. Sabe-se apenas que os
dois santos se aproximaram mais tarde, quando o frei português
começou a realizar as primeiras pregações. E que pregações!
Santo Antônio era um orador inspirado. Suas pregações eram tão
disputadas que chegavam a alterar a rotina das cidades, provocando
o fechamento adiantado dos estabelecimento comerciais.
De
pregação em pregação, de povoado em povoado, o santo chegou a
Pádua. Lá, converteu um grande número de pessoas com seus atos e
suas palavras. Foi para esta cidade que ele pediu que o levassem
quando seu estado de saúde piorou, em junho de 1231. Santo Antônio,
porém, não resistiu ao esforço e morreu no dia 13, no convento de
Santa Maria de Arcella, às portas da cidade que batizou de "casa
espiritual". Tinha apenas 36 anos de idade.
O
pedido do religioso foi atendido dias depois, com seu enterro na
Igreja de Santa Maria Mãe de Deus. Anos depois, seus restos foram
transferidos para a enorme basílica, em Pádua. O processo de
canonização de frei Antônio encabeça a lista dos mais rápidos de
toda a história. Foi aberto meses depois de sua morte, durante o
pontificado de Papa Gregório IX, e durou menos de ano.
Graças
a sua dedicação aos humildes, Santo Antônio foi eleito pelo povo o
protetor dos pobres. Transformou-se num dos filhos mais amados da
Igreja, um porto seguro a qual todos – sem exceção – podem
recorrer. Uma das tradições mais antigas em sua homenagem é,
justamente, a distribuição de pães aos necessitados e àqueles que
desejam proteção em suas casas.
Homem
de oração, Santo Antônio se tornou santo porque dedicou toda a sua
vida para os mais pobres e para o serviço de Deus.
Diversos
fatos marcaram a vida deste santo, mas um em especial era a devoção
a Maria. Em sua pregação, em sua vida a figura materna de Maria
estava presente. Santo Antônio encontrava em Maria além do conforto
a inspiração de vida.
O
seu culto, que tem sido ao longo dos séculos objeto de grande
devoção popular é difundido por todo o mundo através da
missionação e miscigenado com outras culturas (nomeadamente
Afro-Brasileiras e Indo-Portuguesas).
Santo
Antônio torna-se um dos santos de maior devoção de todos os povos
e sem dúvida o primeiro português com projeção universal.
De
Lisboa ou de Pádua, é por excelência o Santo "milagreiro",
"casamenteiro", do "responso" e do Menino Jesus.
Padroeiro dos pobres é invocado também para o encontro de objetos
perdidos.
Sobre
seu túmulo, em Pádua, foi construída a basílica a ele dedicada.
UMBANDA
– SINCRETISMO: OGUM x EXU
Na tradição católica, de acordo com historiadores, Santo Antônio foi assentado como praça da Infantaria portuguesa por ter intercedido no ‘milagre’ da vitória sobre as forças espanholas e francesas, chegando à patente de Tenente-Coronel. No Brasil, ‘auxiliou’ nas lutas contra o Quilombo dos Palmares (pela Capitania de Pernambuco) e a esquadra de corsários franceses de Duclerc (na Capitania do Rio de Janeiro), ficando no posto de Tenente-Coronel até a Proclamação da República, quando teve seu soldo abolido pelo Marechal Hermes da Fonseca. Sendo identificado como padroeiro de incursões militares e batalhas, o santo frade acabou sincretizado com o orixá Ogum na Bahia, por exemplo. À época da escravidão, os negros eram forçados a abjurar suas crenças por imposição da Igreja Católica Apostólica Romana, sendo também obrigados a adotarem para si nomes de santos, como Antônio, Benedito, José, João, Pedro etc. Na Umbanda, Santo Antônio é visto como um padrinho destes espíritos de escravos africanos, os pretos velhos, nomeando entidades desta falange. Pode-se conjecturar uma ligação (mas não o sincretismo) de Santo Antônio com Exu porque o matrimônio sela um compromisso de continuidade dos homens (pela família). Exu é o movimento, a dinâmica da vida, promovendo a interação entre Criador e criaturas (comunicação) e a perpetuação dos seres (reprodução). O símbolo deste Orixá é o falo - órgão sexual masculino -, representando a fertilidade. Suas características controversas – provocador, brincalhão, astuto, sensual – o associaram à figura bíblica de Satanás. Por ferir a moral cristã, a Umbanda não o aculturou como divindade; cultua apenas espíritos homônimos de características análogas – os exus e pombogiras, devoltando-lhes homenagens em dia 13/6. Para os yorubá, etnia da qual herdamos a cultura dos Orixás, não existe conceito de pecado, nem divindade que seja a antítese de Deus (para eles, Olodumare). |
sexta-feira, 11 de maio de 2012
Dia
13 de Maio
Para
alguns é
o 133º dia do ano no calendário
gregoriano (134º
em anos
bissextos).
Faltam 232 para acabar o ano. O 13 de maio, por tratar-se do 133º
dia do ano é considerado pelas ordens secretas, esotéricas,
filosóficas e místicas como sendo uma proporção áurea do ano
(Wikpédia).
É
o dia de Nossa Senhora de Fátima, foi sua primeira aparição em
Portugal.
É
o dia da libertação dos escravos, mas quando a Princesa Isabel
assinou o tratado ela cumpriu com vários desígnios entre eles o de
livrar o povo negro e sofrido do seu martírio, assim determinado no
astral a Vó Maria Conga espirito da nação dos preto-velhos.
Precisaríamos
entender que Preto-Velho é uma designação outrora ligada
exclusivamente aos Negro Velhos mas que tem significância maior pois
relaciona-se com a experiência, a maturidade e a instrumentação da
Fé.
Muitos
discutem o valor ético, étnico e origem desse mistério, que com
certeza se estende entre outras religiões espiritualistas de origens
distintas. Bobagem de encarnados como varias vezes ouço pai Benedito
falar, mas não entrando no mérito, esses amigos e conselheiro são
o que são uma fagulha de AMOR em forma de FÉ, ou FÉ em Forma de
AMOR.
Vou
introduzir alguns relatos interessantes sobre essa falange:
“Segundo
os relatos de Alexandre Cumino em "Preto-velho"
na Cultura Brasileira e na Umbanda Pai
Antônio foi o primeiro preto-velho a se manifestar na Religião de
Umbanda em seu médium Zélio Fernandino de Morais onde se
estabeleceu a Tenda Nossa Senhora da Piedade. Assim, ele abriu esta
"linha" para nossa religião, introduzindo o uso do
cachimbo, guias e o culto aos Orixás.
O "Preto-velho" está ligado à cultura religiosa Afro Brasileira em geral e à Umbanda de forma específica, pois dentro da Religião Umbandista este termo identifica um dos elementos formadores de sua liturgia, representa uma "linha de trabalho", uma "falange de espíritos", todo um grupo de mentores espirituais que se apresentam como negros anciões, ex-escravos, conhecedores dos Orixás Africanos.
São trabalhadores da espiritualidade, com características próprias e coletivas, que valorizam o grupo em detrimento do ego pessoal, ou seja, são simplesmente pretos e pretas velhas com Pai João e Vó Maria, por exemplo.
Milhares de Pais João e de Avós Maria, o que mostra um trabalho despersonalizado do elemento individual valorizando o elemento coletivo identificado pelo termo genérico "preto-velho". Muitos até dizem "nem tão preto e nem tão velho" ainda assim "preto velho fulano de tal". A falta de informação é a mãe do preconceito, e, no caso do "preto-velho", muitos que são leigos da cultura religiosa Umbandista ou de origem africana desconhecem valor do "preto-velho" dentro das mesmas.
Preto é Cor e Negro é Raça, logo o termo "preto-velho" torna-se característico e com sentido apenas dentro de um contexto, já que fora de tal contexto o termo de uso amplo e irrestrito seria "Negro Velho", "Negro Ancião" ou ainda "Negro de idade avançada" para identificar o homem da raça negra que encontra-se já na "terceira idade" (a melhor idade). Por conta disso alguns sentem-se desconfortáveis em utilizar um termo que à primeira vista pode parecer desrespeitoso ao citar um amável senhor negro, já com suas madeixas brancas, cachimbo e sorriso fácil, por trás do olhar de homem sofrido, que na humildade da subjugação forçada e escrava encontrou a liberdade do espírito sobre a alma, através da sabedoria vinda da Mãe África, na figura de nossos Orixás, vindo ao encontro da imagem e resignação de nosso senhor Jesus Cristo.
Alguns preferem chamá-los apenas de "Pais Velhos" o que é bonito ao ressaltar a paternidade, mas ao mesmo tempo oculta a raça que no caso é motivo de orgulho. São eles que souberam passar por uma vida de escravidão com honra e nobreza de caráter, mais um motivo de orgulho em se auto-afirmar "nêgo véio" e ex-escravo; talvez assim se mantenham para que nunca nos esqueçamos que em qualquer situação temos ainda oportunidade de evoluir. Quanto mais adversa maior a oportunidade de dar o testemunho de nossa fé.
O "preto-velho" é um ícone da Umbanda, resumindo em si boa parte da filosofia umbandista. Assim, os espíritos desencarnados de ex-escravos se identificam e muitos outros que não foram escravos, nesta condição, assim se apresentam também em homenagem a eles, por tê-los como Mestres no astral.
No imaginário popular, por falta de informação ou por má fé de alguns formadores de opinião, a imagem do "preto-velho" pode estar associada por alguns a uma visão preconceituosa, há ainda os que se assustam " com estas coisas" pois não sabem que a Umbanda é uma religião e como tal tem a única proposta de nos religar a Deus, manifestando o espírito para a caridade e desenvolvendo o sentimento de amor ao próximo. Não existe uma Umbanda "boa" e uma Umbanda "ruim", existe sim única e exclusivamente uma única Umbanda que faz o bem, caso contrário não é Umbanda e assim é com os "Preto-velhos", todos fazem o bem sem olhar a quem, caso contrário não é de fato um "preto-velho", pode ser alguém disfarçado de "velho-negro", o "preto velho" trabalha única e exclusivamente para a caridade espiritual.
São espíritos que se apresentam desta forma e que sabem que em essência não temos raça nem cor, a cada encarnação, temos uma experiência diferente. Os pretos velhos trazem consigo o "mistério ancião", pois não basta ter a forma de um velho, antes, precisam ser espíritos amadurecidos e reconhecidos como irmãos mais velhos na senda evolutiva.
Quanto menos valor se dá a forma, mais valor se dá à mensagem, e "preto-velho" fala devagar, bem baixinho; quando assim se pronuncia, todos se aquietam para ouví-lo, parece-nos ouvir na língua Yorubá a palavra "Atotô", saudação a Obaluayê que quer dizer exatamente isso: "silêncio".
Nas culturas antigas o "velho" era sempre respeitado e ouvido como fonte viva do conhecimento ancestral. Hoje ainda vemos este costume nas culturas indígenas e ciganas. Algumas tradições religiosas mantêm esta postura frente o sacerdote mais velho, trata-se de uma herança cultural religiosa tão antiga quanto nossa memória ou nossa história pode ir buscar, tão antigos também são alguns dos pretos velhos que se manifestam na Umbanda.
Muitos já estão fora do ciclo reencarnacionista, estão libertos do karma, já desvendaram o manto da ilusão da carne que nos cobre com paixões e apegos que inexoravelmente ficarão para trás no caminho evolutivo.
Por tudo isso e muito mais, no dia 13 de Maio, dia da libertação dos escravos eu os saúdo: "Salve os Pretos Velhos! Salve as Pretas Velhas! Adorei as Almas! Salve nosso Amado Pai Obaluayê, Atotô meu Pai! Salve nossa Amada Mãe Nanã Buroquê, Saluba Nana!"
Usamos para eles velas brancas ou bicolores, metade preta e metade branca, tomam café e fumam cachimbo.”
O "Preto-velho" está ligado à cultura religiosa Afro Brasileira em geral e à Umbanda de forma específica, pois dentro da Religião Umbandista este termo identifica um dos elementos formadores de sua liturgia, representa uma "linha de trabalho", uma "falange de espíritos", todo um grupo de mentores espirituais que se apresentam como negros anciões, ex-escravos, conhecedores dos Orixás Africanos.
São trabalhadores da espiritualidade, com características próprias e coletivas, que valorizam o grupo em detrimento do ego pessoal, ou seja, são simplesmente pretos e pretas velhas com Pai João e Vó Maria, por exemplo.
Milhares de Pais João e de Avós Maria, o que mostra um trabalho despersonalizado do elemento individual valorizando o elemento coletivo identificado pelo termo genérico "preto-velho". Muitos até dizem "nem tão preto e nem tão velho" ainda assim "preto velho fulano de tal". A falta de informação é a mãe do preconceito, e, no caso do "preto-velho", muitos que são leigos da cultura religiosa Umbandista ou de origem africana desconhecem valor do "preto-velho" dentro das mesmas.
Preto é Cor e Negro é Raça, logo o termo "preto-velho" torna-se característico e com sentido apenas dentro de um contexto, já que fora de tal contexto o termo de uso amplo e irrestrito seria "Negro Velho", "Negro Ancião" ou ainda "Negro de idade avançada" para identificar o homem da raça negra que encontra-se já na "terceira idade" (a melhor idade). Por conta disso alguns sentem-se desconfortáveis em utilizar um termo que à primeira vista pode parecer desrespeitoso ao citar um amável senhor negro, já com suas madeixas brancas, cachimbo e sorriso fácil, por trás do olhar de homem sofrido, que na humildade da subjugação forçada e escrava encontrou a liberdade do espírito sobre a alma, através da sabedoria vinda da Mãe África, na figura de nossos Orixás, vindo ao encontro da imagem e resignação de nosso senhor Jesus Cristo.
Alguns preferem chamá-los apenas de "Pais Velhos" o que é bonito ao ressaltar a paternidade, mas ao mesmo tempo oculta a raça que no caso é motivo de orgulho. São eles que souberam passar por uma vida de escravidão com honra e nobreza de caráter, mais um motivo de orgulho em se auto-afirmar "nêgo véio" e ex-escravo; talvez assim se mantenham para que nunca nos esqueçamos que em qualquer situação temos ainda oportunidade de evoluir. Quanto mais adversa maior a oportunidade de dar o testemunho de nossa fé.
O "preto-velho" é um ícone da Umbanda, resumindo em si boa parte da filosofia umbandista. Assim, os espíritos desencarnados de ex-escravos se identificam e muitos outros que não foram escravos, nesta condição, assim se apresentam também em homenagem a eles, por tê-los como Mestres no astral.
No imaginário popular, por falta de informação ou por má fé de alguns formadores de opinião, a imagem do "preto-velho" pode estar associada por alguns a uma visão preconceituosa, há ainda os que se assustam " com estas coisas" pois não sabem que a Umbanda é uma religião e como tal tem a única proposta de nos religar a Deus, manifestando o espírito para a caridade e desenvolvendo o sentimento de amor ao próximo. Não existe uma Umbanda "boa" e uma Umbanda "ruim", existe sim única e exclusivamente uma única Umbanda que faz o bem, caso contrário não é Umbanda e assim é com os "Preto-velhos", todos fazem o bem sem olhar a quem, caso contrário não é de fato um "preto-velho", pode ser alguém disfarçado de "velho-negro", o "preto velho" trabalha única e exclusivamente para a caridade espiritual.
São espíritos que se apresentam desta forma e que sabem que em essência não temos raça nem cor, a cada encarnação, temos uma experiência diferente. Os pretos velhos trazem consigo o "mistério ancião", pois não basta ter a forma de um velho, antes, precisam ser espíritos amadurecidos e reconhecidos como irmãos mais velhos na senda evolutiva.
Quanto menos valor se dá a forma, mais valor se dá à mensagem, e "preto-velho" fala devagar, bem baixinho; quando assim se pronuncia, todos se aquietam para ouví-lo, parece-nos ouvir na língua Yorubá a palavra "Atotô", saudação a Obaluayê que quer dizer exatamente isso: "silêncio".
Nas culturas antigas o "velho" era sempre respeitado e ouvido como fonte viva do conhecimento ancestral. Hoje ainda vemos este costume nas culturas indígenas e ciganas. Algumas tradições religiosas mantêm esta postura frente o sacerdote mais velho, trata-se de uma herança cultural religiosa tão antiga quanto nossa memória ou nossa história pode ir buscar, tão antigos também são alguns dos pretos velhos que se manifestam na Umbanda.
Muitos já estão fora do ciclo reencarnacionista, estão libertos do karma, já desvendaram o manto da ilusão da carne que nos cobre com paixões e apegos que inexoravelmente ficarão para trás no caminho evolutivo.
Por tudo isso e muito mais, no dia 13 de Maio, dia da libertação dos escravos eu os saúdo: "Salve os Pretos Velhos! Salve as Pretas Velhas! Adorei as Almas! Salve nosso Amado Pai Obaluayê, Atotô meu Pai! Salve nossa Amada Mãe Nanã Buroquê, Saluba Nana!"
Usamos para eles velas brancas ou bicolores, metade preta e metade branca, tomam café e fumam cachimbo.”
“PRETO-VELHO” – “A ENTIDADE MAIS CARISMÁTICA DA UMBANDA”
Com
certeza a mais carismática entidade que povoa os terreiros de
Umbanda. A mística do Preto
Velho é
fruto de condições e circunstâncias únicas em terras
brasileiras.
A sofrida vida dos escravos, trazidos da África, já bastante documentada e comentada, fazia com que os indivíduos, em função do penoso e extenuante trabalho a que eram submetidos, somado aos maus tratos, vivessem, em média, somente sete anos após sua chegada ao Brasil.
A sofrida vida dos escravos, trazidos da África, já bastante documentada e comentada, fazia com que os indivíduos, em função do penoso e extenuante trabalho a que eram submetidos, somado aos maus tratos, vivessem, em média, somente sete anos após sua chegada ao Brasil.
As
mudanças no panorama econômico brasileiro, como a decadência do
ciclo da cana-de-açúcar e a redução da atividade mineradora,
fizeram com que uma grande leva de escravos migrados, para os centros
urbanos, pudesse levar uma vida mais amena e conseguisse ter uma
expectativa de vida mais longa.
Mesmo
assim as condições de salubridade, nesta época, não favoreciam a
longevidade.
Então surge a figura daquele escravo que, apesar das suas condições de vida, alcança idade avançada, personificando o patriarca da raça, cuja sapiência parece lhe ser conferida pelos cabelos brancos.
Então surge a figura daquele escravo que, apesar das suas condições de vida, alcança idade avançada, personificando o patriarca da raça, cuja sapiência parece lhe ser conferida pelos cabelos brancos.
Nas
sociedades tradicionais, a figura do idoso é um símbolo da
experiência de vida e um pilar da cultura do grupo a que pertence;
aquele que deve ser ouvido e cujos conselhos devem ser seguidos.
Vemos,
portanto, o aparecimento de uma entidade cuja linha de trabalho é
marcada pela tolerância, rústica simplicidade e um profundo
sentimento de caridade. Só quem sofreu na carne as desventuras da
vida, pode entender ou se aproximar da compreensão do sofrimento
alheio, porque é possível responder a toda violência sofrida, com
amor, sem nenhum sentimento revanchista ou de vingança.
Característica
típica da raça africana é o apego à vida, alegria que se
manifesta em musicalidade e uma sabedoria ancestral quase biológica,
que transparece na religião.
A
forma como se apresenta nos terreiros de Umbanda, através dos
médiuns, é como uma pessoa muito idosa, curvada pelos anos. Às
vezes apoiado em uma bengala, com uma voz meiga, algo paternal que
atrai a confiança e simpatia de quem ouve.
Com movimentos lentos, típicos de um ancião, geralmente senta-se em um pequeno banquinho ou num pedaço de tronco, fumando seu cachimbo de barro ou um cigarro de palha, queimando seu fumo de rolo.
Com movimentos lentos, típicos de um ancião, geralmente senta-se em um pequeno banquinho ou num pedaço de tronco, fumando seu cachimbo de barro ou um cigarro de palha, queimando seu fumo de rolo.
Gosta
de beber desde a cachaça branquinha até o vinho tinto bem forte ou
um café amargo. Mas uma de suas bebidas favoritas é a polpa do coco
verde, triturada no pilão e misturada com um pouco de pinga.
Dizem
que em vida, foram grandes sacerdotes do culto dos Orixás; que
viveram muitos anos devido a seus conhecimentos mágicos, alcançaram
a sabedoria e usam estes conhecimentos misturados a um pouco de
bruxaria, para os trabalhos de cura e descarrego.
Porém,
algumas histórias nos dizem que eles foram homens comuns, que
alcançaram a redenção espiritual através dos suplícios do
cativeiro. A sua tolerância ao martírio, sem manifestar revolta ou
ódio pelos seus algozes e o profundo amor indiscriminado pela
humanidade, os ascendeu a um patamar de mestres espirituais.
Outros
nos contam que, em vida terrena, os Pretos
Velhos eram
homens predestinados, encarnados para assegurar um lenitivo ao
sofrimento dos escravos, e que, por sua bondade e sabedoria,
cativaram a amizade até dos senhores brancos, a quem também acudia
com conselhos e curas. Daí a sua relativa liberdade para atender,
com suas curas, ao povo pobre e sua misteriosa longevidade que lhe
proporcionava a fama de sábio e feiticeiro por viver muito mais que
a maioria dos escravos comuns.
A
idade avançada de um escravo, já era por si própria, digna de
notoriedade, por fugir, muito, da realidade do cativeiro. Por isso,
aquele elemento devia ter alguma coisa diferente.
Preto
Velho também
gosta de beber, em seu coité, uma mistura de folhas de saião,
trituradas com mel e cachaça.
Um
dos pratos típicos servido nas festas ou como oferenda ao Preto
Velho,
e o mais brasileiro de todos, é feijoada. Comida nascida no Brasil é
o resultado de circunstâncias e do gênio da raça negra.
O
feijão preto era o mais básico e barato alimento na senzala.
Plantado, colhido e preparado pelos escravos, na própria fazenda em
que trabalhavam, era, às vezes, enriquecido pelas sobras de carne da
cozinha da casa grande (geralmente porco). As partes que o senhor
branco não comia, como os pés, a orelha, a garganta, o rabo, o
focinho, etc., iam direto para o tacho coletivo e assim nascia a
feijoada.
A
falange dos Pretos
Velhos guarda
sinais particulares e individuais da origem dos elementos que a
compõem. Antigos escravos, estes ainda conservam certas designações
que denunciam de qual nação ou tribo africana eram oriundos. Assim
encontramos Pai Tião D’Angola, Vovó Maria Conga, Vovô Cambinda,
Pai Joaquim de Aruanda, Pai Zeca da Candonga, todos com uma
característica comum: a bondade e a doçura com que tratam os fiéis
que os consultam, procurando um alívio para suas aflições.
Grandes conhecedores de magia, dos feitiços de Exú e das propriedades curativas das ervas, os Pretos Velhos usam também a fumaça de seus cachimbos, como os pagés e caboclos, para dissolver as cargas e energias negativas que envolvem as pessoas.
Trabalham com passes magnetizantes e indicam banhos de ervas para seus consulentes.
Porém uma de suas características mais marcantes é sua força psicológica. Sustentada pelo conhecimento espiritual, esta entidade surpreende e encanta.
Grandes conhecedores de magia, dos feitiços de Exú e das propriedades curativas das ervas, os Pretos Velhos usam também a fumaça de seus cachimbos, como os pagés e caboclos, para dissolver as cargas e energias negativas que envolvem as pessoas.
Trabalham com passes magnetizantes e indicam banhos de ervas para seus consulentes.
Porém uma de suas características mais marcantes é sua força psicológica. Sustentada pelo conhecimento espiritual, esta entidade surpreende e encanta.
Ensinando,
com seu exemplo, a resignação aos golpes kármicos do
destino.
Conhecido como o psicólogo dos pobres, o Preto Velho, embasado em sua rica experiência de vida e transpirando a sabedoria da idade, sabe, como ninguém, ouvir e entender os problemas de seus fiéis.
Conhecido como o psicólogo dos pobres, o Preto Velho, embasado em sua rica experiência de vida e transpirando a sabedoria da idade, sabe, como ninguém, ouvir e entender os problemas de seus fiéis.
O
grande segredo desta virtude está no perdão aos sofrimentos
recebidos. Perdão este, sem discurso demagógico, que vem de um
sentimento puro de desapego e humildade. Humildade. Talvez seja esta
a palavra chave do carisma do Preto
Velho.
A
linha dos Pretos
Velhos está
dentro da “falange das almas”. Seres desencarnados que alcançaram
uma luz espiritual e retornam, através dos médiuns, ao plano
terreno, numa missão de caridade, como que resgatando uma dívida
espiritual, ajudando os necessitados, tanto na parte física, com
passes magnéticos, defumações e indicando ervas curativas, como na
psicológica, com conselhos e amparo afetivo, praticando a bondade
incondicional que lhes é inerente.
Estas
entidades, dizem alguns, compõem uma linha ligada ao Orixá Omolú,
voltada para a cura e lenitivo nas aflições dos pobres.
As
contas pretas e brancas que formam a sua guia, denunciam uma
similaridade de natureza com este Orixá – Omulú/Obaluaiê –
ligado à terra e às doenças, dela provenientes, além do
semelhante histórico de sofrimentos vividos.
Estes
guias, normalmente, incorporam em seus médiuns, atendendo ao
chamamento dos pontos cantados em sua homenagem, nos terreiros, mas
podem também “baixar” pelo magnetismo de uma oração ou de uma
concentração mental dos fiéis.
Dependendo
da pureza ou da mestiçagem dos rituais de um centro espírita, podem
ser usados atabaques, com seu toque característico da Umbanda, ou
apenas cantos marcados pelo bater de palmas, como verificamos nos
terreiros mais tradicionais que ainda conservam a liturgia simples e
despojada dos primeiros terreiros de Umbanda.
A
sua maneira característica de incorporação, com o dorso curvado,
de andar lento e inseguro, procurando apoio numa bengala, indicam,
instantaneamente, a natureza da entidade. Porém dizem alguns
estudiosos que este comportamento é apenas uma faceta cultural, pois
estas entidades, já não tendo o corpo material próprio, não
poderiam se movimentar aparentando limitações físicas, que na
maioria das vezes nem sequer são oriundas dos médiuns.
O
seu discurso nas preleções e conselhos transpiram uma mensagem
cristã de perdão e compaixão, evidenciando a influência dessa
religião com as citações sobre Jesus e os santos católicos.
Uma
perfeita mistura da moral cristã, com os costumes africanos e o
conhecimento da medicina natural, com práticas de pajelança.
As
guias usadas nos terreiros vêm da direta influência africana,
porém, uma das guias preferidas pelos Pretos
Velhos,
é formada pelas contas de uma semente vegetal que varia do branco
leitoso ao negro. Conhecida, popularmente, como lágrimas de Nossa
Senhora, são extraídas de uma planta da família das gramíneas,
entrelaçadas com dentes de porco selvagem, à moda indígena,
crucifixos e outros fetiches africanos, como a figa de guiné,
revelando a miscigenação cultural / religiosa brasileira.
Por
pertencer à falange de entidades desencarnadas ou “linha das
almas”, os Pretos
Velhos sofrem
uma discriminação nos terreiros afro-brasileiros mais tradicionais
de Candomblé. Porém, apesar de não figurarem no rol exclusivista
dos Orixás africanos, os Pretos
Velhos mantêm
certo prestígio, não oficial, nos corações das pessoas que
pertencem a cultos mais puristas.
Não
raro vemos membros de Candomblés, muito exclusivistas, se renderem à
docilidade e ao carisma desta entidade.
Talvez,
devido aos laços culturais e étnicos que não podem negar e,
também, por uma série de misteriosas histórias ouvidas, de que
muitas dessas entidades foram, em vida, iniciados no culto dos
Orixás. Muitos morreram sem ter quem lhes fizessem os ritos funerais
que os separaria dos seus Orixás que foram assentados em suas
cabeças e, portanto, estão indissoluvelmente ligados, no plano
astral, ao ambiente mágico dos ancestrais de uma nação.
Devido
ao seu modo peculiar de falar, com erros de gramática e concordância
e com expressões roceiras, que demonstra a falta de instrução
formal, os Pretos
Velhos são
menosprezados por alguns, como espíritos atrasados e de pouca luz.
Porém seus defensores argumentam que a exatidão do português e o
lirismo das palavras não indicam a elevação espiritual de ninguém.
Sustentam que grandes vultos da história da humanidade, que possuíam
uma retórica exemplar e uma personalidade magnética, foram grandes
genocidas, como Hitler e tantos outros e que, se pudessem dirigir
alguma mensagem mediúnica poderiam parecer espíritos bastante
iluminados.
A
qualidade da mensagem espiritual está no conteúdo, na compaixão
que transparece nos atos e não na forma mecânica de sua construção.
Estas
entidades, verdadeiros psicólogos, que falam a língua dos pobres e
lhes tocam o coração, são grandes curadores no plano físico e
espiritual, usando seu conhecimento fototerápico com defumações e
banhos de limpeza astral, são mais eficientes em sua caridade do que
os discursos filosóficos de uma intelectualidade distante da
realidade.
Quando falamos dessa grande falange, referimo-nos também às entidades do gênero feminino, que povoam os terreiros com sua graça e candura. As Pretas Velhas, Vovó Maria Conga, Mãe Selma da Caconde, Tia Anastácia Cambinda, Mãe Rosa da Bahia e muitas outras.
Quando falamos dessa grande falange, referimo-nos também às entidades do gênero feminino, que povoam os terreiros com sua graça e candura. As Pretas Velhas, Vovó Maria Conga, Mãe Selma da Caconde, Tia Anastácia Cambinda, Mãe Rosa da Bahia e muitas outras.
A
mesma história, vivida pelo gênero masculino, encontramos também
entre estas entidades que passaram pelas mesmas agruras e conservaram
em seu íntimo a bondade e o perdão.
O
seu modo de incorporação, com uma postura curvada, o andar
dificultoso e o gosto pelo cachimbo de barro com fumo de rolo.
Assim
as Pretas
Velhas,
da Umbanda, são um referência de resignação e desprendimento,
erradicando os sentimentos de raiva e ressentimento que poderiam
advir das humilhações e torturas sofridas pelo seu povo no passado.
A
condição do negro, após a escravidão, não mudou muito. Apesar
disso, a postura solidária e mansa dessas entidades, tem sido um
baluarte na valorização da cultura afro-brasileira, superando a
estigmatição social de inferioridade, como um exemplo da grandeza
espiritual do povo africano, que, apesar das atrocidades sofridas,
soube semear exemplos de amor e caridade, exemplificando com suas
vidas, a força da religião que souberam preservar.
Carinhosamente,
também chamados de pai preto, estes guias ensinam uma importante
lição de humildade e resignação diante das adversidades da vida,
sem perder a alegria e o bom humor. É comum ouvir, dos mesmos,
observações jocosas a respeito dos problemas. Simplificando o que
parecia complicado, dando esperanças para fortalecer
psicologicamente seu consulente, porque sabe que se fraquejarmos na
lida da vida, os problemas se tornam maiores e não suportamos o
fardo.
A
grande lição que ensinam estas entidades é que colhemos o que
plantamos. E esta é uma grande oportunidade para rever os erros
cometidos, tomar consciência da nossa responsabilidade por nós
mesmos na busca da felicidade.
A
característica interessante é a forma descompromissada desta
prática espiritual com o formalismo e austeridade presente em outras
religiões. O adágio popular de que os velhos se parecem com
crianças, tem um profundo senso prático no trabalho dos Pretos
Velhos.
A
informalidade e humildade destas entidades fazem os fiéis se
sentirem descontraídos, como se estivessem na presença de um membro
da família ou um velho amigo mais sábio, que lhes atende e
aconselha falando francamente, procurando ajudar a resolver seus
problemas.
Uma
antiga história contada nos terreiros de Umbanda, fala de um
escravo, cativo em uma fazenda de cana-de-açúcar no Nordeste, que
desde que chegara ao Brasil, parecia ser predestinado à uma missão
espiritual.
Missão
esta, diziam, lhe ter sido outorgada por Oxalá. Apesar da dura vida
no cativeiro, nunca se revoltou com o destino.
Grande
conhecedor das ervas curativas e das mirongas de sua terra natal,
pois fora um sacerdote iniciado no culto dos Orixás, tratava dos
outros escravos, minimizando seus sofrimentos. A fama de seu trabalho
de caridade chegou até a casa grande e passou também a assistir aos
senhores brancos, sem nenhum traço de ressentimento.
Passou
a ser chamado carinhosamente, por todos, de Pai Preto e passou a vida
divulgando a prática da bondade incondicional.
Quando
já estava velho, com quase 90 anos de idade, sua história chegou
aos ouvidos de padres missionários, que, zelosos de sua catequese,
decidiram ser Pai Preto um feiticeiro pagão que deveria morrer para
servir de exemplo a quem ousasse interferir nos ensinamentos da Santa
Igreja Católica.
Foi
então dada a ordem para a sua execução. Porém até os senhores de
engenho, que também muito lhe deviam por suas curas, resolveram
burlar a ordem e esconder Pai Preto em local seguro, onde pudesse
continuar a lhes prestar serviços. Mas a obstinação e a
consciência de sua missão fizeram Pai Preto prosseguir, sem medo.
Este continuava a trabalhar, em seu corpo espiritual.
Então
as autoridades religiosas enviaram outra ordem: o “feiticeiro”
devia ser desenterrado e sua cabeça separada do corpo e enterrada
bem longe para que seus feitiços cessassem.
Desta
vez, temerosos com as possíveis conseqüências da desobediência,
seus amos resolveram matá-lo e fugir de complicações.
Assim,
beirando os noventa anos, este ancião deixa o plano físico e começa
uma nova missão no plano astral. Através dos médiuns que lhes
servem de veículo, continua o trabalho de caridade e ajuda nos
terreiros de Umbanda.
Afirmam
outros que o verdadeiro nome de Pai Preto era Jeremias e que hoje é
saudado como Pai Jeremias do Cruzeiro.
Toda
a liturgia aparentemente caótica, nas incorporações do Preto
Velho,
demonstram um quadro clássico da Umbanda. Os fiéis, ignorando o que
seus olhos vêem, enxergam não o médium, mas um velhinho negro
alquebrado pela idade e pela vida, usando às vezes um chapéu de
palha, outras um pano enrolado na cabeça, com um galho de arruda
pendurado atrás da orelha, apoiado numa bengala, fumando um cachimbo
ou um charuto, rindo e bebendo no seu coité de casca de coco, até
café amargo, bebida que muito aprecia, e, por vezes mastigando uma
rapadura.
É
quase um membro da família, aquele vovô sábio e bondoso que todos
gostariam de ter.
É
quando todas as barreiras caem e as pessoas entregam, aos seus
ouvidos pacientes, suas histórias e mazelas, sem nenhum pudor de
confessar fracassos ou desilusões. Por que não se sentem falando a
um estranho, mas a alguém que parece conhecê-los desde o início de
suas vidas.
Usa
uma vestimenta simples e branca, típica dos praticantes da Umbanda,
lembrando a pureza de sentimentos e o vínculo simbólico com Oxalá,
Pai criador dos homens e seu enorme amor pela humanidade.
Antonio
Basílio Filho – Ogan Basílio
Diretor Jurídico do SOUESP
Diretor Jurídico do SOUESP
Publicado
em: 2005-11-11 por RayCasales, última modificação em: 2005-11-23
por RayCasales(901 vizualização(ões))Histórico
Retirado
do site: Umbanda
em Foc
MÃE
PRETA
"O coração do inocente,
É como a terra estrumada,
Qui a gente pranta a simente
E a mesma nace corada,
Lutrida e munto viçosa.
Na nossa infança ditosa,
Quando o amô e a simpatia
Toma conta da criança,
Esta sodosa lembrança
Vai batê na cova fria.
Quem pela infança passou,
O meu dito considera,
Eu quero, com grande amô,
Dizê Mãe Preta quem era.
- Mãe Preta dava a impressão
Da noite de iscuridão,
com seus mistero profundo,
Iscondendo seus praneta;
Foi ela a preta mais preta
Das preta qui eu vi no mundo.
Mas porém, sua arma pura,
Era branca como a orora,
E tinha a doce ternura
Da Virge Nossa Senhora.
Quando amanhecia o dia,
Pra minha rede ela ia
Dizendo palavra bela;
Pra cuzinha me levava
E um cafezim eu tomava
Sentado no colo dela.
Quando as minha brincadêra
Causava contrariedade
A minha mãe verdadêra
Com a sua otoridade,
As vez brigava comigo
E num gesto de castigo,
Botava os óio pra mim,
Mas porém, não me batia,
Somente pruque sabia
Qui mãe preta achava ruim.
Por isso eu não tinha medo,
Sempre contente vivia
Mexendo nos meus brinquedo
E fazendo istripolia.
Dentro de nossa morada,
Pra mim não fartava nada,
O meu mundo era Mãe Preta;
Foi ela quem me ensinou
Muntas cantiga de amô,
E brincá de carrapeta.
Se as vez eu brincando tava
De barbuleta a pegá,
E impaciente ficava
Inraivicido a chorá,
Ela com munta alegria,
Um certo jeito fazia,
Com carinho e com amô,
Apanhava as barbuleta;
Foi ela uma santa preta,
Que o mundo de Deus criou.
Se chegava a noite iscura
Com seus negrume sem fim,
Ela com toda ternura,
Chegava perto de mim
Uma coisa cochichava
E depois qui me bejava,
Me levava pra dromida
Sobre os seus braços lustroso.
Aquilo sim, era gozo,
Aquilo sim, era vida.
E despois de me deitá
Na minha pequena rede,
Balançava devagá
Pra não batê na parede,
Contando estes lindos verso
Qui neste grande universo
Ôtros mais belo não vi,
E enquanto ela balançava
E estes versinho cantava,
Eu percurava dromi.
Dorme, dorme, meu menino,
Já chegou a escuridão,
A treva da noite escura
Está cheia de papão.
No teu sono terás beijos
Da rosa e do bugari
E os espíritos benfazejos
Te defendem do saci.
Dorme, dorme, meu menino,
Já chegou a escuridão
A treva da noite escura
Está cheia de papão.
Dorme teu sono inocente
Com Jesus e com Maria,
Até chegar novamente
O clarão do novo dia.
Iscutando com respeito
Estes verso pequenino,
Eu sintia no meu peito
Tudo quanto era divino;
Nem tuada sertaneja,
Nem os bendito da igreja,
Nem os toque de retreta,
In mim ficaro gravado,
Como estes versos cantado
Por minha boa Mãe Preta.
Mas porém, eu bem menino,
Qui nem sabia pecá,
Os ispinho do destino
Começaro a me furá.
Mãe Preta qui era contente,
Tava um dia deferente.
Preguntei o que ela tinha
E assim que ela oiô pra eu
Dois pingo d'água desceu
Dos óio da coitadinha.
Daquele dia pra cá,
Minha amorosa Mãe Preta,
Não pôde mais me ajudá
Nas pega de barbuleta,
Sem prazê, sem alegria
Dentro de um quarto vivia,
O dia e a noite intêra,
Sem achá consolação,
Inriba de seu coxão
De foia de bananera.
Quando ela pra mim oiava,
Como quem sente um desgosto,
A minha mão apertava
E o pranto banhava o rosto.
Divido este sofrimento,
Naquele seu aposento,
No quarto onde ela viva,
Me proibiro de entrá,
Promode não magoá
As dô que a pobre sintia.
Eu mesmo dizê não sei
Qual foi a surpresa minha,
Quando um dia eu acordei,
Bem cedo domenhãzinha
Entrei na sala e dei fé
Qui um magote de muié
Tava rezando oração;
E vi Mãe Preta vestida
Numa ropona comprida,
Arva, da cô de argodão.
Sinti no peito um cansaço,
Depois uns home chegaro
Levantaro ela nos braço
E numa rede botaro.
A rede tava amarrada
Numa peça perparada
De madêra bem polida,
E naquela mesma hora,
Levaro de estrada afora
Minha Mãe Preta querida.
Mamãe com todo carinho,
Chorando um bêjo me deu
E me disse - meu fiinho,
Sua Mãe Preta morreu!
E ôtras coisa me dizendo,
Sinti meu corpo tremendo,
Me jurguei um pobre réu,
Sem consolo e sem prazê,
Com vontade de morrê,
Pra vê Mãe Preta no céu.
O coração do inocente,
É como terra estrumada
Que a gente pranta a semente,
E a mesma nasce corada
Lutrida e munto viçosa;
Na nossa infança ditosa,
Quando o amô e a simpatia
Toma conta da criança,
Esta sodosa lembrança
Vai batê na cova fria".
Autor: Patativa Do Assaré, ou ANTONIO GONÇALVES DA SILVA, direto do Ceará. Morreu em 2002 com 93 anos.
"O coração do inocente,
É como a terra estrumada,
Qui a gente pranta a simente
E a mesma nace corada,
Lutrida e munto viçosa.
Na nossa infança ditosa,
Quando o amô e a simpatia
Toma conta da criança,
Esta sodosa lembrança
Vai batê na cova fria.
Quem pela infança passou,
O meu dito considera,
Eu quero, com grande amô,
Dizê Mãe Preta quem era.
- Mãe Preta dava a impressão
Da noite de iscuridão,
com seus mistero profundo,
Iscondendo seus praneta;
Foi ela a preta mais preta
Das preta qui eu vi no mundo.
Mas porém, sua arma pura,
Era branca como a orora,
E tinha a doce ternura
Da Virge Nossa Senhora.
Quando amanhecia o dia,
Pra minha rede ela ia
Dizendo palavra bela;
Pra cuzinha me levava
E um cafezim eu tomava
Sentado no colo dela.
Quando as minha brincadêra
Causava contrariedade
A minha mãe verdadêra
Com a sua otoridade,
As vez brigava comigo
E num gesto de castigo,
Botava os óio pra mim,
Mas porém, não me batia,
Somente pruque sabia
Qui mãe preta achava ruim.
Por isso eu não tinha medo,
Sempre contente vivia
Mexendo nos meus brinquedo
E fazendo istripolia.
Dentro de nossa morada,
Pra mim não fartava nada,
O meu mundo era Mãe Preta;
Foi ela quem me ensinou
Muntas cantiga de amô,
E brincá de carrapeta.
Se as vez eu brincando tava
De barbuleta a pegá,
E impaciente ficava
Inraivicido a chorá,
Ela com munta alegria,
Um certo jeito fazia,
Com carinho e com amô,
Apanhava as barbuleta;
Foi ela uma santa preta,
Que o mundo de Deus criou.
Se chegava a noite iscura
Com seus negrume sem fim,
Ela com toda ternura,
Chegava perto de mim
Uma coisa cochichava
E depois qui me bejava,
Me levava pra dromida
Sobre os seus braços lustroso.
Aquilo sim, era gozo,
Aquilo sim, era vida.
E despois de me deitá
Na minha pequena rede,
Balançava devagá
Pra não batê na parede,
Contando estes lindos verso
Qui neste grande universo
Ôtros mais belo não vi,
E enquanto ela balançava
E estes versinho cantava,
Eu percurava dromi.
Dorme, dorme, meu menino,
Já chegou a escuridão,
A treva da noite escura
Está cheia de papão.
No teu sono terás beijos
Da rosa e do bugari
E os espíritos benfazejos
Te defendem do saci.
Dorme, dorme, meu menino,
Já chegou a escuridão
A treva da noite escura
Está cheia de papão.
Dorme teu sono inocente
Com Jesus e com Maria,
Até chegar novamente
O clarão do novo dia.
Iscutando com respeito
Estes verso pequenino,
Eu sintia no meu peito
Tudo quanto era divino;
Nem tuada sertaneja,
Nem os bendito da igreja,
Nem os toque de retreta,
In mim ficaro gravado,
Como estes versos cantado
Por minha boa Mãe Preta.
Mas porém, eu bem menino,
Qui nem sabia pecá,
Os ispinho do destino
Começaro a me furá.
Mãe Preta qui era contente,
Tava um dia deferente.
Preguntei o que ela tinha
E assim que ela oiô pra eu
Dois pingo d'água desceu
Dos óio da coitadinha.
Daquele dia pra cá,
Minha amorosa Mãe Preta,
Não pôde mais me ajudá
Nas pega de barbuleta,
Sem prazê, sem alegria
Dentro de um quarto vivia,
O dia e a noite intêra,
Sem achá consolação,
Inriba de seu coxão
De foia de bananera.
Quando ela pra mim oiava,
Como quem sente um desgosto,
A minha mão apertava
E o pranto banhava o rosto.
Divido este sofrimento,
Naquele seu aposento,
No quarto onde ela viva,
Me proibiro de entrá,
Promode não magoá
As dô que a pobre sintia.
Eu mesmo dizê não sei
Qual foi a surpresa minha,
Quando um dia eu acordei,
Bem cedo domenhãzinha
Entrei na sala e dei fé
Qui um magote de muié
Tava rezando oração;
E vi Mãe Preta vestida
Numa ropona comprida,
Arva, da cô de argodão.
Sinti no peito um cansaço,
Depois uns home chegaro
Levantaro ela nos braço
E numa rede botaro.
A rede tava amarrada
Numa peça perparada
De madêra bem polida,
E naquela mesma hora,
Levaro de estrada afora
Minha Mãe Preta querida.
Mamãe com todo carinho,
Chorando um bêjo me deu
E me disse - meu fiinho,
Sua Mãe Preta morreu!
E ôtras coisa me dizendo,
Sinti meu corpo tremendo,
Me jurguei um pobre réu,
Sem consolo e sem prazê,
Com vontade de morrê,
Pra vê Mãe Preta no céu.
O coração do inocente,
É como terra estrumada
Que a gente pranta a semente,
E a mesma nasce corada
Lutrida e munto viçosa;
Na nossa infança ditosa,
Quando o amô e a simpatia
Toma conta da criança,
Esta sodosa lembrança
Vai batê na cova fria".
Autor: Patativa Do Assaré, ou ANTONIO GONÇALVES DA SILVA, direto do Ceará. Morreu em 2002 com 93 anos.
Extraído
de http://aumbandacomoelae.blogspot.com.br
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